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03 Aug 2011

Oferta extra de Gol e TAM supera tamanho da Azul

Rio de Janeiro – A TAM e a Gol colocaram juntas no mercado uma capacidade extra equivalente a mais de uma Azul inteira entre janeiro e junho, de acordo com dados da AgA?ncia Nacional de Aviação Civil (Anac). O forte crescimento da oferta, resultado de uma disputa acirrada entre as duas gigantes da aviação nacional, é um dos fatores que sustenta taxas de ocupação abaixo da mA�dia mundial, apontam especialistas.

No primeiro semestre, os voos saA�ram com uma média de 69,7% dos assentos ocupados nas rotas domésticas, segundo relatA?rio da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglás). Esse patamar é inferior aos de A?ndia, China e Estados Unidos e também está abaixo da mA�dia global, de 78,1%, em um momento em que o Brasil lidera a expansão internacional do setor aéreo. A instituição ressalta, porém, que o País avançou bastante nos últimos anos.

“A taxa de ocupação da indústria está subindo significativamente e a grande razA?o é o crescimento do mercado consumidor. Cerca de 40 milhões de pessoas entraram na faixa salarial de US$ 1 mil a US$ 3 mil dólares e esse é um público que opta pelo transporte aéreo e não pelo rodoviA?rio”, afirma o consultor Allemander Pereira.

No primeiro semestre, o aumento mais expressivo na oferta veio da líder TAM, que ampliou a capacidade em 14,26%, ante igual período de 2010. A Azul, que em menos de três anos de existA?ncia já alcançou a terceira colocação no mercado doméstico, praticamente dobrou sua oferta no período. A vice-líder Gol, que foi mais moderada, com um aumento de 4,67% na oferta, não gostou da política de expansão das concorrentes, que acabou respingando em todo o setor.

Em comunicado ao mercado na última quinta-feira, a empresa culpou o “forte” crescimento de 14,4% da oferta da indústria pela queda do yield (importante indicador dos preços cobrados pelas passagens aéreas) no primeiro semestre. “A companhia adotou uma estratégia prudente em termos de adição de capacidade. No entanto, essa pressão no yield fez com que as receitas de passageiros apresentasse crescimento menor no semestre”, disse no comunicado. Para o consultor AndrÉ Castellini, da Bain & Company, o aumento de oferta ideal para o período seria de 10%.

“O Brasil se caracteriza por um mercado com um excesso de oferta. Quanto mais excesso você tem, maior é a dificuldade para lotar o avião. Há uma rivalidade muito grande entre as duas maiores companhias do Brasil e essa concorrA?ncia se manifesta de diversas formas. Uma delas é atravàs de planos de expansão de frota bastante agressivos”, avalia.

Mercado

Outra caracteràstica específica do mercado brasileiro também tem colaborado para manter as taxas de ocupação relativamente baixas. Diferentemente de mercados mais maduros, como os dos EUA e da Europa, aqui grande parte do fluxo aéreo é de passageiros que viajam a negócios e voam geralmente pela manhã? cedo e no fim da tarde. Com isso, os voos do meio da tarde, por exemplo, ficam relativamente vazios.

Esse cenário tem mudado com o crescimento da demanda de passageiros que voam a turismo, resultado da alta do emprego e da renda da população. As fortes restrições ao overbooking (venda de passagem além da capacidade do avião) no Brasil também ajudam a puxar para baixo a ocupação, segundo Pereira. Com receio das puniA�A�es, as empresas são mais criteriosas ao lançar mão da prática, usada para se proteger do “no show” (não comparecimento de passageiros).

Fonte: Veja

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